quinta-feira, 20 de março de 2014

Carta à sociedade

Hoje eu passei por ti. E como sempre, você nem percebeu. Eu mudei meu cabelo por você. Aprendi a tocar violão. Estou usando calça jeans. Ah, sabe o emprego que me indicou? Consegui. Já fiz a matrícula na faculdade. É o que me pediu. Por que ainda me ignora? Estou no seu grupo do Facebook, mas parece que isso não importa.
Você anda tão cruel. Tenho visto o que você faz com outras pessoas, parecidas comigo. Na verdade não sei por que procuro te agradar. Não vivo mais por sua causa. Eu queria trabalhar com terra, plantar e colher, pescar nos finais de semana, ter uma esposa, filhos, mas isso não lhe agrada. Queria arrumar um modo de me separar de você. Você não gosta de ninguém, só usa algumas pessoas. Eu só queria falar isso. Acho que você precisa mudar radicalmente, caso contrário, muitos deixaram de te seguir e você não existirá mais. É isso.


Testo meu, publicado originalmente em um blog de cartas do meu amigo Jefferson Sato. Clique aqui e veja o original.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Golpe? Só se for militar

Cada dia mais ouço algumas pessoas falando sobre um golpe comunista no Brasil. Como se isso, por si só, não fosse absurdo, dizem que será liderado pelo Partido dos Trabalhadores. Os argumentos são os mais absurdos possíveis. A participação do País na melhoria do Porto de Mariel, em Cuba, por exemplo, é um deles. Um empréstimo (bem lucrativo, diga-se de passagem), com exigência de participação de empresas brasileiras (não preciso dizer que capitalistas) com ótimos lucros. Bem comunista isso, não acha? 
Poderia citar várias coisas, mas são tão ridículas quanto. O fato é: os bancos nunca lucraram tanto; as pessoas nunca compraram tanto; as empresas nunca contrataram tanto. E digo mais, digo: Nunca antes na história desse país (não resisti).
São boatos ao estilo pré 1964! Boatos que pretendem justificar um golpe militar. A história é bem parecida: a criação do instituto Millenium, o novo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), a nova versão da Marcha da Família, boatos de uma ditadura comunista, etc, etc. 
Dilma ganhará as eleições, é certo. Isso garantirá mais 12 anos de governo petista (sim, acredito em mais 8 anos de Lula como presidente). A oposição que não ganha nada, namora um golpe, difícil de acontecer ao estilo paraguaio por causa das articulações do governo com partidos aliados. O jeito é o militarismo, ou o PMDB. Rsrsrs

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Inverdades

Não sei por que as pessoas adesivam os carros com frases toscas. Aliás, não sei por que adesivam. Mas o que me incomoda realmente são as frases. Aquelas coisas brilhantes do tipo: “A força da tua inveja é a velocidade do meu sucesso” (Ainda mais quando está em um carro popular dos anos 1990); “Quem me vê assim não sabe pelo que passei” (Sei sim. Estou te seguindo desde que saiu de casa); e a famosa: “Foi Deus que me deu” (Mesquinho).
Hoje li uma que me chamou a atenção. Olha que preciosidade: “muitos sonham com o sucesso. Eu acordo cedo e trabalho muito para alcança-lo”. Essa é a clara ilusão capitalista de que o sucesso, sempre associado ao dinheiro, vem com muito esforço e trabalho. É a lógica que não faz sentido. Nem acordar cedo garante ascensão, nem acordar tarde a elimina. Nem mesmo um desses hábitos está mais próximo do sucesso do que o outro.
O capitalismo permite o enriquecimento de um em milhões para que a esperança não morra e você continue trabalhando duro, trazendo muito dinheiro para seu patrão. E esse um ocorre das formas mais variadas e até absurdas. Crie uma música com rimas fáceis e velhos preconceitos pra ver. Conheço gente extremamente empreendedora, corajosa, com ótimos conhecimentos administrativos, econômicos e de mercado, que já tentaram várias e várias coisas e não dão certo.
É a velha ideia de que quem tem muito trabalhou muito também. Inverdades! Uma prova disso é a matéria da Carta Capital, que você pode conferir aqui, de junho de 2013, sobre a ilegalidade dos documentos de posse de terra no Brasil. “Ilusão de ilusão, diz o sábio, tudo é ilusão”.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Ressentido

Bom dia a todos. Falando diretamente do centro do mundo, que sou eu, venho trazer as mais novas notícias do nosso cotidiano. Se você está falando de mim, ou pensa em mim quando fala, sua indireta é muito bem vinda.
Fulano diz: "tem gente que não se emenda".
Eu respondo: "cuida da sua vida".
Ciclano diz: "o mundo está cheio de gente querendo tirar vantagem em tudo".
Eu respondo: "fala na cara".
Beltrano diz: "o dólar subiu".
Eu respondo: "falar de mim é fácil, difícil é ser eu".
Tudo tem a ver comigo. Eu sei.
Eu sou o centro do mundo. Olha no mapa. Eu gosto de repetir a palavra “eu” para confirmar isso. E assim vou vivendo, sofrendo e querendo esse amor doentio. Mas se falto pra mim, meu mundo sem mim, também é vazio.
E se algo que disse lhe ofendeu, me desculpe. Não foi minha intenção. Mas é difícil não falar de algo tão importante como o centro do mundo.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Estou de Volta

Seguindo um conselho da época de faculdade: “sempre que não se sabe sobre o que escrever, escreva sobre isso". Estou reativando meu blog e não tenho ideia do que lhe dizer. Até tenho algo em mente, mas não quero falar sobre isso. Aliás, acho que serei a única censura desse meio.
Escolhi manter o texto original de explicação. Gosto de admitir o meu desconhecimento sobre as coisas. Com isso, perco certa responsabilidade sobre minhas opiniões (não que elas não sejam cansativamente bem refletidas, porque são). Na verdade é só uma rebeldia contra o academicismo de plantão. Ter especialistas falando sobre suas especialidades e ganhando algum crédito por isso, mesmo que estejam defecando pela boca, é uma cultura que me causa asco.
Escreverei, sempre que possível, textos pequenos (acredito ser mais aceito na internet), sobre temas variados e com frequência. Boa parte, apenas reflexões. Seja bem vindo para comentar, compartilhar e criticar. Você pode contribuir com temas. Vamos ver até onde isso vai.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Morte: o antônimo sinônimo da vida

A morte não é tão diferente da vida. Pelo menos, da vida que temos. Não nascemos por vontade própria, assim também não morremos - na maioria das vezes. Não temos controle das coisas que ficam após a morte, também não temos durante a vida, somos tão programados, tão robotizados, seguimos um ciclo mais ou menos inevitável de nascer, ir para a escola, trabalhar. Estudar mais para poder trabalhar mais. Dormir um pouco para poder estudar mais para trabalhar mais. Comer para poder estudar mais para trabalhar mais.
Depois de morto, nosso corpo já não pensa, nem vivo. Acreditamos no que lemos, ou no professor que acredita no que lê, ou ainda no nosso líder que acredita no que lê. Se bem que quase ninguém consegue decifrar corretamente esse código linguístico. Mesmo assim, acreditamos e lemos, ou apenas acreditamos no que os outros lêem.
O morto tem seu corpo consumido pelo tempo. Chega uma hora em que nada mais se aproveita. Assim também os vivos. O morto é esquecido pela maioria dos vivos. Os vivos também. Só prestam atenção quando nascemos e quando morremos. Morto, não muda o mundo. Vivo também não.
Por fim, o morto é um ser individualista que se tranca na sua própria caixa e se enterra nas profundezas, longe de tudo e de todos. O que dizer, então, dos vivos?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Viva la Vida

Algumas coisas só existem para quem não as têm. É esperançosa a espera por mim, mas fico feliz só por não atrapalhar, o que, na maioria das vezes, é impossível. Minha birra não é com a vida, mas sim com o que fizemos dela. Penso que seria melhor viver em outra época, uma que não fosse tão “desenvolvida” como a nossa. Uma época que não vença tanto. O discurso de auto ajuda diz que você nasceu porque venceu uma competição entre espermas. Coisa ridícula! Vivemos no avanço retrocesso. Evoluímos e involuímos (se é que existe essa palavra). Descobrimos e esquecemos. Viva la vida muerta! Vida inexistente por ser mecânica, programada. Viva a leitura do nada. Um Viva para mim!